O levantamento do Datafolha aponta um quadro eleitoral mais competitivo do que a vantagem aparente na liderança sugere. No cálculo de votos válidos — critério da Justiça Eleitoral — Lula aparece com 45%, abaixo dos 50% mais um necessários para evitar o segundo turno, o que reforça a probabilidade de definição da disputa apenas na etapa final.
Na simulação do primeiro turno, Lula lidera com 39% das intenções, enquanto o senador Flávio Bolsonaro sobe para 35%, avanço de dois pontos em relação ao levantamento anterior e diferença que se aproxima da margem de erro. Entre os eleitores, 10% declaram voto em branco ou nulo e 4% dizem ainda não saber em quem votar; na pesquisa espontânea Lula tem 26% e Flávio 16%.
Os índices de rejeição mostram forte polarização: 48% rejeitam Lula e 46% rejeitam Flávio, ambos com alto grau de reconhecimento — 99% e 93%, respectivamente. Em sentido oposto, Romeu Zema (4%) e Ronaldo Caiado (5%) registram rejeição bem menor (17% e 16%), mas também enfrentam déficit de visibilidade: mais da metade do eleitorado diz não conhecê‑los.
Os dados desenham consequências políticas concretas. O avanço de Flávio estreita espaços para uma vitória no primeiro turno e complica a narrativa oficial; Zema e Caiado mostram potencial de ser alternativa em cenário de desgaste, porém dependem de ampliar exposição. O quadro socioeconômico mantém Lula mais forte entre menos escolarizados, eleitores de menor renda e no Nordeste, o que confirma que a disputa seguirá definida por dinâmica regional e mobilização até 2026. Dados como este são retrato do momento, não previsão definitiva, mas já impõem necessidade de ajuste de estratégias.