O Instituto Datafolha divulga nesta sexta-feira (11) a primeira pesquisa de intenção de voto para presidente da República cujas entrevistas foram todas realizadas depois do acirramento da crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF). O levantamento, registrado no TSE sob o número BR-01833/2026, ouviu 2.002 pessoas entre terça (8/9) e hoje, tem margem de erro de dois pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%. A sondagem foi contratada por Folha da Manhã e pelo grupo Globo, com custo declarado de R$ 307.641,60.
No último levantamento do Datafolha, divulgado em 3 de setembro — antes, portanto, da escalada do conflito — Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecia com 38%, seguido por Flávio Bolsonaro (PL) com 33% e o escritor Augusto Cury (Avante) com 8%. Ronaldo Caiado (PSD) tinha 4%; Renan Santos (Missão), 3%; e Romeu Zema (Novo), 2%. A pesquisa a ser publicada hoje oferecerá o primeiro retrato oficial do efeito imediato da crise sobre esse mapa de intenções.
Por tratar-se de um levantamento feito integralmente no período pós-crise, os números têm potencial para acender alerta — especialmente para candidaturas que dependem de transferência de votos ou de desgaste do adversário. Oscilações ou consolidações nas intenções podem traduzir pressão sobre alianças, ajustes de agenda de campanha e mudança de prioridade em gastos e tempo de TV, além de influenciar a narrativa nos dias finais antes do segundo turno, marcado para 4 de outubro.
O resultado será um termômetro do momento, não uma previsão definitiva. A leitura editorial deve focar nas variações regionais, no comportamento do eleitor indeciso e nos índices de rejeição — fatores que, em 23 dias para o segundo turno, costumam determinar ajustes estratégicos e respostas imediatas de candidatos e bases políticas. Os dados serão disponibilizados no site do Correio; a cobertura seguirá detalhando consequências políticas e implicações para a reta final.