A nova pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira confirma a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, mas também sinaliza estreitamento preocupante para o Planalto: no primeiro turno Lula aparece com 39% das intenções de voto contra 36% de Flávio Bolsonaro — diferença dentro da margem de erro e classificada como empate técnico. É a primeira sondagem nacional do instituto depois da sessão histórica do Supremo Tribunal Federal relacionada ao Caso Master e ao ministro Alexandre de Moraes, e mantém a estabilidade numérica no segundo turno, em que Lula tem 46% e Flávio 44%.
Em relação ao levantamento anterior, de 11 de setembro, a vantagem líquida do petista praticamente desapareceu — Lula manteve 39% enquanto Flávio subiu de 35% para 36% — um movimento pequeno na ponta, mas politicamente relevante. O Datafolha também mostra sinais de consolidação em dois polos: Augusto Cury tem 6%; Ronaldo Caiado, 4%; Renan Santos, 3%; Romeu Zema, 2%; e outros candidatos somam 1% cada. Brancos e nulos totalizam 6% e 3% dos entrevistados declararam-se indecisos. A pesquisa ouviu 2.002 pessoas presencialmente entre 15 e 17 de setembro; margem de erro de dois pontos e registro no TSE BR-04029/2026.
Do ponto de vista político, os números acendem um alerta para a campanha do governo: a redução da margem de segurança expõe maior vulnerabilidade em um cenário cada vez mais polarizado e com candidatos nanicos sendo desidratados em favor de nomes com maior viabilidade. Para a oposição, o resultado reforça a viabilidade de uma disputa apertada e pressiona o bloco governista a intensificar a mobilização do eleitorado e a justificar políticas e narrativa em que a economia e a imagem institucional do Executivo tenham papel central.
Importante ressaltar que pesquisas são um retrato do momento, não uma previsão definitiva; porém, dados repetidos em institutos diferentes — e agora confirmados em pesquisa realizada logo após um episódio sensível no Judiciário — podem ampliar o custo político de passividade. A leitura prática é que a campanha terá de ajustar foco e recursos, com especial atenção à cobertura territorial e à recuperação de eleitores voláteis, sob risco de ver a disputa por 2026 se transformar em um embate muito mais apertado do que imaginava o Planalto.