A mais recente pesquisa Datafolha abre uma fresta de pressão sobre o Supremo: 28% dos entrevistados afirmam que o ministro Alexandre de Moraes deveria ser alvo de processo de impeachment, enquanto 12% dizem o mesmo sobre André Mendonça. O levantamento, feito entre 8 e 10 de setembro com 2.002 pessoas em 125 cidades, também mostra que a opção por afastamento temporário tem apoio ainda maior — 34% no caso de Moraes e 37% para Mendonça —, indicando que parte da opinião pública prefere uma medida provisória em vez de uma ruptura definitiva.
O estudo apresenta variações nas avaliações das condutas. Sobre Moraes, 13% defendem renúncia, 7% não veem irregularidade e 5% relativizam o problema alegando suposta ilegalidade na obtenção de provas. Em relação a Mendonça, 25% declaram não haver irregularidade e 11% sugerem renúncia. Os resultados não só espelham desconfiança como apontam polarização sobre qual remédio institucional é considerado adequado — censura, afastamento temporário ou nada a ser feito.
A divisão mais nítida aparece no recorte por simpatia política. Metade dos eleitores de Flávio Bolsonaro defende o impeachment de Moraes; entre os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o percentual cai a 9%. Sobre Mendonça, 48% dos eleitores de Flávio dizem não enxergar irregularidades, enquanto 49% dos eleitores de Lula apoiam sua saída temporária. Esses números mostram que a disputa não é apenas jurídica: é também política e eleitoral, com avaliações fortemente condicionadas por lealdades partidárias.
No plano prático, o levantamento acende um sinal para duas consequências concretas: primeiro, aumenta a pressão política sobre o Congresso e sobre as lideranças que precisarão responder ao debate público; segundo, complica a narrativa de normalidade institucional — sobretudo em meio ao embate envolvendo as investigações sobre o Banco Master e as relações apontadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A pesquisa, encomendada por Folha de S.Paulo e TV Globo e registrada na Justiça Eleitoral (BR-01833/2026), não prevê desfechos, mas deixa claro que a confiança em membros do STF virou variável relevante para o ambiente político, o que pode demandar respostas claras das instituições para evitar desgaste maior.