A mais recente rodada do Instituto Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (21), confirma o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente da corrida presidencial, com 39% das intenções de voto no primeiro turno. O ex-senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece em segundo lugar, com 33%. O levantamento foi realizado entre 18 e 20 de agosto com 2.058 entrevistados e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos; está registrado no TSE sob o número BR-04496/2026. Trata-se do primeiro levantamento após o início oficial da campanha, em 16 de agosto.
Na comparação com a pesquisa de 24 de julho, houve pequena oscilação: Lula caiu um ponto (de 40% para 39%) e Flávio subiu um ponto (de 32% para 33%). Essas variações estão dentro da margem de erro, o que indica estabilidade relativa no quadro, mas o sinal político é claro: o segundo colocado consolida-se como alternativa viável e reduz a folga do atual governante. No confronto direto, Lula tem 48% contra 43% de Flávio, vantagem de cinco pontos que torna o segundo turno mais competitivo do que sugeriam leituras mais iniciais da eleição.
O mapa de forças mostra ainda um pelotão muito distante dos líderes: Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 5%, Renan Santos (Missão) com 4% e Romeu Zema (Novo) com 3%. Outros candidatos somam percentuais individuais entre 1% e 2%; brancos e nulos chegam a 7% e 4% se declaram indecisos. Esse contingente — superior à margem de erro quando somado — mantém aberta a possibilidade de mudanças relevantes conforme a campanha se intensifica e as alianças se cristalizam.
Do ponto de vista político, os números funcionam como um retrato do momento e como um aviso estratégico. Para a campanha governista, a oscilação e a consolidação de Flávio elevam a necessidade de ampliar a coalizão e reduzir a taxa de brancos/nulos e indecisos. Para a oposição, os resultados reforçam a vantagem de concentrar recursos e mensagem em consolidar o segundo lugar e explorar a competitividade do segundo turno. Em contexto de polarização evidente, a disputa tende a se definir pela capacidade de cada lado de converter indecisos e neutralizar votos em branco — e não apenas por ganhos marginais já observados nas últimas pesquisas.