O novo levantamento do Datafolha, conduzido entre 28 de setembro e 1º de outubro e registrado no TSE como BR-08039/2026, coloca Luiz Inácio Lula da Silva com 42% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 38%. Na prática, os dois seguem tecnicamente empatados — o que mantém a eleição aberta e transforma cada movimento de campanha em potencial diferencial nas horas finais antes do pleito.
O instituto também captou efeitos dos episódios políticos que dominaram as redes na última semana, como o caso ligado à Nossa Senhora Aparecida e a proibição das apostas, segundo o próprio Datafolha. Esses acontecimentos aparecem como fatores de curto prazo que podem recalibrar eleitores indecisos e os que apontam voto em branco ou nulo — fatias pequenas, mas capazes de decidir um duelo tão apertado.
No segundo pelotão, a dispersão aumenta e as candidaturas menores perdem espaço: Augusto Cury aparece com 4%; Renan Santos e Ronaldo Caiado têm 3% cada; Romeu Zema, Samara Martins, Edmilson Costa, Clariana Barão e Rui Costa Pimenta marcam 1% cada. Brancos e nulos somam 5% e 2% dos entrevistados estão indecisos. O quadro sugere uma consolidação progressiva da disputa entre PT e PL, reduzindo as alternativas viáveis fora do confronto principal.
O Datafolha simulou quatro cenários de segundo turno, em todos com Lula à frente, mas sem margem confortável: Lula tem 48% contra 45% de Flávio Bolsonaro; contra Caiado, 48% a 42%; 49% a 40% contra Zema; e 47% a 42% no cenário com Cury. Esses números indicam um segundo turno definido por mobilização, fidelização de eleitores e eficácia das campanhas em converter votos de terceira via. A proximidade entre os concorrentes amplia o risco de surpresas e reforça a importância de comparecimento às urnas.
Para o governo e para a oposição, a pesquisa acende alerta. Para o Planalto, os números mostram necessidade de manter base de apoio e converter avaliação de gestão em voto efetivo. Do lado bolsonarista, há sinal de recuperação que demanda coordenação de mensagens e esforços de mobilização. A queda das candidaturas menores também pressiona alianças e táticas de última hora. O Datafolha vai divulgar nova rodada neste sábado, véspera do primeiro turno, que poderá confirmar tendência ou revelar nova oscilação em um cenário já de alto risco político.