A um dia da votação, a última pesquisa Datafolha antes do domingo eleitoral mostra um cenário competitivo: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 45% dos votos válidos, contra 42% do senador Flávio Bolsonaro (PL). O levantamento, encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e registrado no TSE (BR-01708/2026), entrevistou 4.006 eleitores entre 29 de setembro e 1º de outubro, e foi divulgado neste sábado (3/10). O cálculo por votos válidos exclui brancos, nulos e indecisos, uma métrica que costuma reduzir a margem aparente entre concorrentes em disputa direta.

Em relação à rodada anterior, divulgada na quinta-feira (1º), a posição de Lula em votos válidos se manteve (45%), enquanto Flávio subiu dois pontos (de 40% para 42%). No total de intenções de voto, Lula aparece com 42% e Flávio com 40%. Essas oscilações curtas indicam um eleitorado ainda sujeito a microvariações nas últimas horas de campanha, sobretudo em função de transferência de eleitores que decidem pelo menos de forma tardia.

No quadro de segundo turno apresentado pelo Datafolha, Lula tem 47% e Flávio 46% — números que mostram uma disputa praticamente empatada na margem reduzida entre os dois. A diferença entre os candidatos nas medidas de votos válidos é de três pontos percentuais; considerando a margem de erro da pesquisa, de dois pontos para mais ou para menos, trata‑se de uma vantagem estreita e vulnerável a pequenas mudanças na mobilização e na rejeição dos eleitores.

Do ponto de vista político, o levantamento acende um sinal de alerta para ambos os lados. Para a campanha governista, a manutenção da liderança não elimina a necessidade de reforçar a mobilização de base e reduzir rejeição em segmentos críticos; a narrativa de vantagem confortável perde força diante da proximidade dos números. Para Flávio Bolsonaro e a oposição, o recorte confirma que há espaço para crescimento e que uma estratégia agressiva de mobilização do eleitor anti‑Lula pode converter intenção em voto — sobretudo se houver eleitores que ainda migrem nas próximas horas.

Além da disputa entre os dois primeiros colocados, o Datafolha confirma que nenhum terceiro candidato alcança dimensão capaz de alterar substancialmente o quadro: Ronaldo Caiado marca 4% dos votos válidos, Augusto Cury 3%, Renan Santos 3% e Romeu Zema 1%; os demais candidatos não pontuaram de forma relevante. A pesquisa, por sua amplitude e proximidade do pleito, funciona como retrato do momento: reafirma uma corrida apertada, complica a narrativa de vitória antecipada e reforça a importância do comparecimento às urnas e da gestão de rejeições nas últimas horas de campanha.