A mais recente pesquisa Datafolha, realizada entre 7 e 9 de abril e registrada no TSE (BR-03770/2026), joga um novo componente de incerteza na corrida presidencial: em simulação de segundo turno Lula aparece com 45% das intenções e o senador Flávio Bolsonaro com 46%. Apesar da vantagem numérica de Flávio, a diferença está dentro da margem de erro de dois pontos e, portanto, configura empate técnico.

Nos confrontos com Ronaldo Caiado e Romeu Zema, o cenário também aponta para disputa apertada: Lula tem 45% contra 42% de ambos os adversários, igualmente dentro da margem. O levantamento é a primeira rodada após a consolidação de pré-candidaturas — e traz duas leituras claras do conjunto de dados: Caiado foi o que mais cresceu desde o último levantamento, reduzindo a distância para Lula de dez para três pontos; Flávio avançou; e Zema aparece pela primeira vez nas simulações.

Politicamente, os números acendem um alerta para o Planalto. A redução da vantagem presidencial em cenários de segundo turno expõe desgaste eleitoral e amplia pressão sobre a estratégia governista — seja na retomada de agenda econômica, na comunicação ou na articulação com aliados. Ao mesmo tempo, a consolidação de candidaturas de direita tende a polarizar a disputa e a comprimir o espaço para alternativas de centro, elevando o custo político para quem ocupa o Executivo.

É preciso lembrar que pesquisa é retrato de momento, não previsão definitiva. Ainda assim, o quadro entregue pelo Datafolha aponta para uma campanha mais competitiva e exige resposta rápida da base governista: ajustes táticos, foco em temas com apelo real ao eleitor e tentativa de neutralizar a atração dos nomes de direita. A disputa para 2026, portanto, passa a ser mais aberta e de maior risco para o projeto de reeleição.