Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira revela que a maioria dos brasileiros considera relevante que a próxima vaga do Supremo Tribunal Federal seja ocupada levando em conta critérios de diversidade. Para 51% dos entrevistados, é "muito importante" que a nomeação recaia sobre uma mulher — hoje apenas a ministra Cármen Lúcia integra a Corte — e 46% afirmam ser "muito importante" que o indicado seja pessoa negra.
O levantamento também destaca prioridades técnicas e divergências de expectativa: 85% dos ouvidos apontam excelente preparo jurídico como requisito indispensável. Ao mesmo tempo, 46% dizem ser "muito importante" que o indicado seja religioso. Metade dos entrevistados (51%) considera relevante que o futuro ministro demonstre lealdade ao presidente que o nomeou, enquanto 64% esperam independência partidária. Afinidade com o Congresso pesa para 47% e 53% valorizam apoio dos atuais ministros ao novo integrante.
Os dados chegam em momento sensível: a sucessão aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso e a rejeição, pelo Senado, da indicação do advogado-geral da União Jorge Messias transformaram a escolha em revés político para o governo. A pesquisa mostra ainda que 59% da população não sabia da rejeição; entre os que acompanharam, 53% avaliaram que o episódio enfraqueceu o Executivo. As diferenças por base eleitoral são claras: entre eleitores que dizem votar em Lula em 2026, 64% e 60% dão muita importância a mulher e a cor negra, respectivamente; entre apoiadores de Flávio Bolsonaro esses percentuais caem para 41% e 35%.
Do ponto de vista prático, o levantamento acende alerta para o Planalto: há demanda por diversidade e preparo técnico, mas também uma reivindicação contraditória por lealdade, o que complica a escolha e a articulação no Senado. Com margem de erro de dois pontos percentuais, a pesquisa foi feita presencialmente nos dias 12 e 13 de maio com 2.004 pessoas (registro TSE BR-00290/2026). O resultado sugere que o governo terá de equilibrar representatividade, qualificação e aceitação política para evitar novo desgaste institucional.