Pesquisa do instituto Datafolha divulgada neste domingo aponta que 59% dos brasileiros aprovam a manutenção da prisão domiciliar do ex‑presidente Jair Bolsonaro, enquanto 37% defendem que ele retorne ao regime fechado; 5% não souberam opinar. O levantamento entrevistou 2.004 pessoas em 134 cidades entre 7 e 9 de abril, e chega em meio às repercussões da condenação pelo Supremo Tribunal Federal.
Os dados mostram recortes por preferência política: eleitores de centro apoiam, por 53% a 41%, a manutenção da domiciliar. Entre os apoiadores de Bolsonaro o apoio é quase unânime — 94% —, ao passo que entre simpatizantes do PT a maioria (68%) defende o cumprimento da pena em regime fechado, contra 28% que concordam com a prisão em casa e 4% que não souberam responder.
O contexto jurídico permanece relevante: o STF fixou pena de 27 anos e três meses ao ex‑presidente por envolvimento em articulações golpistas após 2022. Bolsonaro cumpriu 125 dias em regime fechado, passou por internação de duas semanas por broncopneumonia e foi autorizado a regime domiciliar em 27 de março pelo ministro Alexandre de Moraes, com uso de tornozeleira eletrônica. O ex‑presidente já havia cumprido prisão domiciliar entre agosto e novembro de 2025.
Do ponto de vista político, o levantamento acende sinais contraditórios: por um lado, esvazia parte do apelo de quem defende endurecimento imediato; por outro, expõe polarização intensa e dificuldade de construir consenso sobre medidas penais excepcionais. Para o Judiciário, os números reforçam o desafio de conciliar decisões técnicas com percepção pública dividida — um retrato que não é previsão, mas sinaliza consequências para narrativas e estratégias eleitorais.