A pesquisa Datafolha publicada nesta sexta-feira confirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém vantagem em cenários de disputa presidencial: no confronto direto de segundo turno, o petista aparece com 48% das intenções de voto contra 43% de Michelle Bolsonaro. O resultado repete, na margem, o desempenho do senador Flávio Bolsonaro nessa etapa: ambos ficam atrás de Lula, embora a diferença com Flávio tenha sido, em levantamentos anteriores, até menor.

A diferença entre Michelle e Flávio torna-se mais nítida no primeiro turno. Enquanto o senador oscilou em torno de 31% nas simulações testadas pelo Datafolha, a ex-primeira-dama registra apenas 22% — número que a deixa distante da liderança de Lula, com 41%. Esses dados deixam claro que, mesmo considerada opção pelos aliados do PL, Michelle não transfere automaticamente a base de apoio do clã Bolsonaro nem corrige o recuo observado na pré-campanha de Flávio.

O recuo de Flávio está associado diretamente ao desgaste gerado por vazamentos de áudios e suspeitas sobre o destino de recursos relacionados ao filme Dark Horse, ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As repercussões públicas dessas notícias aparecem no cenário eleitoral: aliados já defendem alternativas, como a candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal, mas a pesquisa mostra que a troca de nome não resolve o problema estrutural do partido diante do eleitorado hoje.

Politicamente, os números do Datafolha acendem alerta para o PL. A manutenção de Lula à frente em todos os cenários obriga a definição de estratégia: insistir na candidatura de Flávio apesar do desgaste, apostar em Michelle com risco de limitar o eleitorado, ou realinhar peças para reduzir o impacto negativo nas urnas. Para o governo petista, a liderança consolidada significa oportunidade de manter a narrativa de recuperação e de capitalizar fricções na oposição — um quadro que complica a estratégia do PL rumo a 2026 e amplia a pressão por respostas internas sobre candidaturas e alianças.