A pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado projeta um segundo turno decidido por motivações distintas: entre os que dizem votar em Flávio Bolsonaro, 41% apontam o desejo de alternância no poder como razão central; entre os que escolhem reeleger Lula, 48% citam a preservação de políticas sociais e a defesa de interesses de classe. Em votos válidos, o instituto registra um quadro apertado — 51% para Flávio contra 49% para Lula — a menos de duas semanas da votação marcada para 25 de outubro.
Os dados revelam também desdobramentos sociais relevantes. A defesa da manutenção de benefícios e reajustes pesa mais entre eleitores com ensino fundamental (52%) e entre evangélicos (59%), informa o levantamento. Na reta final, o presidente tem colocado o tema das políticas sociais e o tema salarial no centro do discurso, tentando transformar realizações e programas em âncoras de fidelidade. A promulgação da PEC que extingue a escala 6x1 foi explorada pelo governo para sublinhar avanços sociais e rebater críticas sobre mudanças trabalhistas.
Do lado opositor, a insatisfação com o governo aparece em destaque: além do apelo pela alternância, 31% dos apoiadores de Flávio indicam rejeição ao PT como motivador explícito do voto. Questões econômicas e custo de vida são citadas por 16% desse eleitorado; propostas e características pessoais do candidato vêm logo atrás, com 15%. Entre os jovens de 16 a 24 anos que afirmam votar em Lula, 20% dizem privilegiar valores, ideologia e tema democrático — um sinal de que aspectos normativos ainda contam na recomposição do apoio petista.
Do ponto de vista político, a pesquisa acende alerta para ambos os lados: para Lula, evidencia a necessidade de consolidar a narrativa de proteção social e convencer eleitores preocupados com manutenção de direitos; para Flávio, aponta que a campanha tem tração com eleitores insatisfeitos com o atual governo, mas precisa ampliar atrativos além da rejeição ao PT. Em limite tão estreito, pequenas variações de adesão ou eficácia narrativa podem decidir o resultado — e o levantamento deve ser lido como um retrato do momento, não como prognóstico definitivo.