A mais recente pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira registra 40% de reprovação ao Supremo Tribunal Federal, o pior índice desde o início da série histórica. O levantamento, realizado nos dias 12 e 13 de maio com 2.004 entrevistados a partir dos 16 anos e margem de erro de dois pontos percentuais, mostra também 34% que consideram a atuação da Corte “regular” e 22% que a avaliam como “boa” ou “ótima”.
O resultado coincide com uma sequência de controvérsias que vinham minando a imagem do tribunal: o caso do Banco Master, questões sobre benefícios no Judiciário — os chamados "penduricalhos" — e o debate sobre um código de ética para ministros. No episódio do Master, a Polícia Federal apontou ligação de fundos com empresa da família de um ministro; Dias Toffoli deixou a relatoria após essas revelações, e Alexandre de Moraes foi questionado por mensagens e contratos que envolvem parentes, segundo apurações divulgadas pela imprensa.
O indicador supera picos anteriores de rejeição: em 2019 a reprovação atingiu 39% em meio a decisões controvertidas relativas à Lava Jato e à criminalização da homofobia e transfobia; em dezembro de 2023 foi de 38%, no rastro das tensões políticas geradas pelo ataque de 8 de janeiro. Internamente, ministros como Cármen Lúcia e o presidente Edson Fachin tentam construir consenso sobre um código de ética, mas a expectativa divulgada é de que o tema só avance depois das eleições.
Do ponto de vista político e institucional, o dado acende um alerta para a Corte: a perda de aprovação amplia o desgaste e reduz margem de manobra para decisões sensíveis, além de aumentar a cobrança por transparência e medidas concretas de governança. Embora pesquisas reflitam um retrato momentâneo, a tendência ressalta a necessidade de respostas que recupere confiança pública e protejam a legitimidade do tribunal diante do debate público e do calendário eleitoral que se aproxima.