A primeira pesquisa do Datafolha com cenários que incluem Pablo Marçal no mapa eleitoral de São Paulo mostra queda da margem de segurança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Sem Marçal, o senador aparece à frente, com 37% contra 33% de Lula; com o nome do coach do PRTB na disputa, a vantagem de Flávio se reduz a um ponto (35% a 34%) — empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos.

O resultado expõe dois efeitos claros: a capacidade de candidatos fora do núcleo tradicional de redistribuir votos e a vulnerabilidade do eleitorado em um estado decisivo para 2026. Mesmo sendo inelegível desde 2024 por decisão do TSE, Marçal tem potencial de influenciar o jogo ao captar fatia que poderia consolidar a liderança do PL no primeiro turno, forçando ajustes na estratégia do núcleo governista.

No segundo turno simulado, Flávio mantém vantagem sobre Lula em São Paulo, 47% a 42%, mas a distância não é confortável: brancos, nulos e indecisos somam pouco menos de 10%. Ao mesmo tempo, a avaliação ao governo federal no estado revela alta rejeição — 56% consideram a gestão negativa — um dado relevante para a narrativa adversária e para a capacidade de mobilização eleitoral do presidente.

Para o PL, o recado é duplo: consolidar votos em São Paulo continua essencial e qualquer fragmentação no campo conservador pode complicar a projeção nacional. Para a oposição, números como rejeição elevada e o empate técnico com Marçal no tabuleiro paulista oferecem margem para explorar desgaste e ampliar disputa. O dado também reforça a importância das batalhas jurídicas em torno de candidaturas — e o preço político de convicções que não se traduzam em unidade eleitoral.