Uma pesquisa Datafolha registrada no TSE (BR-01166/2026) e realizada nos dias 22 e 23 deste mês revela que 52% dos eleitores brasileiros acreditam que o aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos tem como objetivo beneficiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). Do total de 2.004 entrevistados com 16 anos ou mais, 37% rejeitam essa interpretação e 11% não souberam opinar. O levantamento tem margem de erro de dois pontos para mais ou para menos e mostra que o tema já alcançou ampla visibilidade: 63% dos entrevistados dizem estar informados sobre o chamado tarifaço, sendo 25% que acompanham o assunto de perto.

A percepção, porém, é fortemente segmentada pelo recorte eleitoral: entre eleitores que declaram voto em Flávio Bolsonaro, apenas 29% entendem que as medidas visam beneficiá‑lo, enquanto entre os que dizem votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva o índice sobe para 73%. Nos cenários testados pelo Datafolha, Lula aparece com 40% contra 32% de Flávio num eventual primeiro turno; em uma simulação de segundo turno o presidente teria 48% ante 43% do senador. Esses números mostram que, além de polarizar interpretações, o episódio se insere diretamente na agenda eleitoral e tende a orientar percepções sobre competitividade e integridade das campanhas.

O instituto também mapeou atribuições de responsabilidade e caminhos de reação. Quando questionados sobre quem é o principal responsável pelo tarifaço, 35% apontaram Lula, 28% citaram Donald Trump, 13% mencionaram Flávio Bolsonaro e 10% indicaram Eduardo Bolsonaro; 10% não souberam responder. Sobre a disputa de narrativas, 34% concordam com a afirmação de Lula de que a responsabilidade é de Flávio, 26% reforçam a crítica do senador ao governo federal, e 24% dizem que nenhum dos dois está certo. Há, portanto, simultaneamente um clima de associação entre o ato e a figura do senador e uma percepção significativa de falha governamental: 51% avaliam que o Executivo fez menos do que poderia para enfrentar a crise comercial.

Do ponto de vista prático, a pesquisa expõe um dilema político: a ampla percepção de que o tarifaço favorece um candidato cria custo reputacional para Flávio Bolsonaro e seus aliados, enquanto a avaliação de insuficiência da resposta oficial eleva pressão sobre o governo Lula e complica a narrativa de que o episódio é apenas retórica da oposição. A preferência clara por solução diplomática (74%) também limita a margem para retaliações e exige iniciativa negociadora. Em síntese, o levantamento acende um alerta sobre o impacto eleitoral do conflito comercial — força conversas de campanha, pressiona ajustes estratégicos e reforça a centralidade do tema no debate para 2026.