A Democracia Cristã (DC) abriu nesta quinta-feira um procedimento disciplinar que deve culminar na expulsão do ex-ministro Aldo Rebelo. Em comunicado oficial, a direção nacional afirmou que havia tentado negociações para resolver o impasse, mas considerou esgotadas as tentativas de entendimento e decidiu pela medida sumária.
O movimento intensificou um racha já visível no partido desde a entrada do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, anunciado pelo presidente do partido, João Caldas, como nome para disputar a Presidência em 2026. Aldo Rebelo vinha sendo apresentado como pré-candidato da sigla desde janeiro, e a troca abrupta surpreendeu dirigentes estaduais e o próprio ex-ministro.
Além de deslocar a disputa interna para uma frente disciplinar, a decisão tem efeitos políticos claros. A direção nacional optou por uma solução que prioriza a atração de um nome de maior projeção pública, mas o custo é a fragmentação da base partidária e o risco de acionamento do Judiciário por Rebelo, que já sinalizou intenção de recorrer. A disputa expõe fragilidades na governança do partido e reduz capacidade de construir unidade em torno de uma candidatura competitiva.
A cena agora é de divisão aberta: a expulsão anunciada marca a vitória temporária da ala que apoia Joaquim Barbosa, mas também acende incerteza sobre a sustentação do projeto eleitoral da DC nas instâncias estaduais. Se a questão migrar de vez para os tribunais ou gerar novas saídas de quadros, o partido corre o risco de ver prejuízo organizacional e de imagem justamente no momento em que tenta se reposicionar para 2026.