Três pré-candidatos à Presidência — o senador Flávio Bolsonaro (PL) e os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) — participam hoje, em evento fechado da Confederação Nacional da Indústria (CNI) no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. A plateia é formada por empresários e convidados credenciados; os presidenciáveis receberão o documento Construindo o Brasil 2050 com recomendações de políticas de longo prazo para produtividade e atração de investimentos.
O roteiro da CNI concentra-se em temas econômicos sensíveis: política macroeconômica, reforma tributária, inovação, infraestrutura, segurança energética, sustentabilidade e, com destaque, a aceleração da universalização do saneamento básico. A entidade estima necessidade de cerca de R$ 420 bilhões para cumprir metas do novo marco legal até 2033, e apresenta o saneamento como vetor direto de saúde pública, redução de despesas e ganho de competitividade.
Os dados expostos reforçam desafios práticos: 43% da população ainda não têm coleta de esgoto e 16% vivem sem água potável; a cobertura regional é desigual — Sudeste com 92,1% de abastecimento e 80,8% de esgoto, frente a Norte e Nordeste com índices muito inferiores — e as perdas na distribuição somaram 39,5% em 2024. Além disso, há mais de mil municípios sem metas contratualizadas para água e 1.421 sem objetivos formais para esgoto, o que complica a execução de políticas em prazo definido.
Politicamente, o debate funciona como teste de substância: além de concordar com diagnósticos, os candidatos serão cobrados por propostas concretas de financiamento, aprimoramento de concessões e garantias de estabilidade regulatória capazes de atrair capital privado. Para o setor produtivo, a diferença entre promessas genéricas e planos críveis pode pesar na avaliação de governabilidade e competência administrativa dos presidenciáveis rumo a 2026.