O relator da proposta que termina com a escala 6x1 na Câmara, deputado Paulo Azi (União-BA), colocou na agenda o que deve comandar a próxima fase da tramitação: o tratamento dos impactos econômicos e a forma de implementação da redução da jornada. Superada a etapa de admissibilidade na CCJ, o foco agora é técnico e político — e promete ser o centro das negociações na comissão especial de mérito.

Azi sinalizou que há uma aproximação entre o texto enviado pelo Executivo e o que vinha sendo discutido no Legislativo, com a perspectiva de fixar a nova jornada em 40 horas semanais. Mesmo assim, manteve que as questões mais sensíveis permanecem em aberto. A principal delas é logística financeira: cabe ao setor privado suportar integralmente o aumento do custo da hora trabalhada ou o Estado terá papel mitigador? Essa definição terá consequências diretas sobre competitividade, emprego formal e custo previdenciário.

Além da conta, a disputa incorpora o ritmo de adaptação. O governo advoga aplicação mais rápida e tem tentado encaminhar um projeto de lei como alternativa mais célere à PEC; no Congresso e entre empresários há quem defenda prazos de transição. O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, manifestou oposição a cronogramas longos, afirmando que 90 dias seria suficiente e rejeitando prazos de anos. A divergência revela fissuras não apenas entre Poderes, mas dentro das próprias bases que precisam construir solução comum.

A tramitação pode ganhar velocidade: o presidente da Câmara, Hugo Motta, articulou sessão para dar andamento à matéria e reuniu-se com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, sinalizando esforço de alinhamento entre Executivo e Legislativo. Resta saber se a articulação avançará sem maiores concessões financeiras ao setor produtivo — ou se a pressão por mitigação dos custos obrigará o governo a ampliar o papel fiscal e a negociar perdas políticas. O resultado definirá não só o calendário, mas o custo político das decisões.