O primeiro debate entre presidenciáveis promovido pela TV Bandeirantes perdeu o protagonismo esperado ao ficar sem os dois principais nomes das pesquisas. Lula e Flávio Bolsonaro optaram por não comparecer, e a disputa ficou restrita a Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD). O levantamento Datafolha, divulgado no mesmo fim de semana, confirma a distância: Lula em 39% e Flávio em 33%, contra 5%, 4% e 2% dos presentes, respectivamente. Romeu Zema também não participou; seu partido justificou que a mudança de data acabou diluindo o objetivo do encontro.

Com o palco esvaziado, o debate teve alternância entre cordialidade e confrontos acalorados. Renan buscou visibilidade com ataques diretos aos ausentes e críticas à cobertura da mídia, enquanto Cury repreendeu o tom agressivo, dizendo que a hostilidade afasta eleitores e empobrece o debate sobre propostas. No mesmo horário, a Record exibiu entrevista exclusiva com Lula, em que o presidente afirmou apoiar apurações sobre suspeitas envolvendo familiares, tentando neutralizar o foco nas denúncias.

O episódio revela uma assimetria clara na corrida: os líderes, confortáveis nas pesquisas, conseguem escolher quando medir forças; os de menor apoio precisam fabricar antagonismos para ganhar espaço. Essa dinâmica reduz o alcance de debates sem figuras de ponta e favorece estratégias de mídia alinhadas ao poder — a entrevista concomitante de Lula é exemplo de como controlar agenda reduz opções de exposição para adversários. Para a terceira via, os números do Datafolha acendem alerta sobre a dificuldade de converter visibilidade em intenção de voto.

Politicamente, a ausência dos favoritos impõe um custo estratégico para quem busca romper a polarização: ataques dispersos e gestos provocativos podem render manchetes, mas não necessariamente votos. Ao mesmo tempo, a postura de Lula — evitar debates presenciais e responder por entrevista — mostra uma opção de risco calculado: evitar confrontos diretos preserva a preferência consolidada, mas mantém a oposição com argumento para criticar transparência. Em resumo, o encontro da Band expôs mais a fragilidade da alternativa do que ofereceu caminho claro para alterá-la; a pesquisa segue sendo um retrato do momento, não uma sentença final.