O primeiro debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes, neste domingo (23/8), contou apenas com três participantes: Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema não compareceram. O formato esvaziado reduziu o alcance do evento e concentrou a atenção em quem esteve no estúdio. O próximo encontro previsto pela emissora é em 14 de setembro.
A ausência dos principais nomes dominou a pauta desde o início. Augusto Cury chegou a declarar que não entraria no estúdio por discordar do horário coincidente com uma entrevista de Lula na Record, mas acabou participando. A cena ilustra o tom atípico do confronto: havia presença física, mas falta de competitividade entre líderes consolidados.
Especialistas ouvidos na cobertura apontam que debates tendem a favorecer candidatos menos conhecidos, que ganham material para circular após o evento — e, nesse quesito, Renan Santos foi o que mais aproveitou o espaço. Ele aparece com 4% no agregador de pesquisas da BBC News Brasil e não tem tempo de propaganda no rádio e na TV. Para o Missão, com apenas um parlamentar federal no Congresso, cada aparição pública tem valor estratégico, já que a Lei das Eleições limita participação em debates oficiais a partidos com bancada mínima.
Politicamente, o impacto mais provável recai sobre a disputa pela terceira posição: a exposição de Renan pode atrair atenção e parte do eleitorado que hoje procura alternativas fora da polarização entre Lula e Bolsonaro. Ao mesmo tempo, a decisão dos líderes de não participar preserva suas bases consolidadas e reduz o risco de desgaste público. A leitura pública e midiática do episódio deverá se definir nos próximos dias pelo material que circular nas redes e pela cobertura do evento.