O seminário 'Escala 6 x 1: em busca de equilíbrio na jornada de trabalho', promovido pelo Correio Braziliense nesta terça-feira (26/5) em Brasília, trouxe ao centro do debate uma proposta prática para reduzir a rotina de sobrejornada no setor de serviços. Entre ministros, parlamentares e representantes do setor produtivo, a empresária Isabela Raposeiras, fundadora do Coffeelab, apresentou a adoção da escala 4x3 nas unidades da rede — medida implantada em 2025 que, segundo ela, resultou em aumento de faturamento, maior engajamento das equipes e melhora operacional.
A experiência da rede de cafés foi colocada como um caso de sucesso que combina ganhos empresariais e condições de trabalho mais sustentáveis. Raposeiras tem orientado outros empresários sobre práticas de gestão que, na avaliação dela, permitem reduzir jornadas longas sem sacrificar resultados. O testemunho serve como argumento técnico num debate que, até aqui, vinha sendo travado sobretudo em termos ideológicos e jurídicos.
O caráter político do encontro ficou claro pela presença do ministro Gilmar Mendes, do STF, dos deputados Domingos Sávio (PL-MG) e Reginaldo Lopes (PT-MG), e de representantes do Ministério das Mulheres. Esse cruzamento entre Judiciário, Congresso e setor privado sinaliza que a discussão sobre a manutenção ou o fim da escala 6x1 pode ganhar desdobramentos institucionais — de eventual mudança normativa a litígios com impacto direto em empresas e contratos de trabalho. A composição do painel também mostra que a pauta extrapola divisões partidárias e exige soluções práticas.
Para o setor produtivo, o caso Coffeelab coloca um dilema: adaptar modelos de jornada pode implicar custo de transição, mas também trazer ganhos de produtividade e retenção de talento. Para os agentes públicos, a lição é política e administrativa: mudanças na regulação trabalhista precisarão conciliar proteção social com previsibilidade para empregadores. O seminário reacende a necessidade de diálogo técnico entre empresas, trabalhadores e poder público — e acende um alerta sobre a velocidade com que o tema poderá subir na agenda legislativa e judicial.