O confronto final entre os dois candidatos, transmitido pela TV Globo, teve formato menos combativo que o debate anterior, com momentos em que ambos puderam expor propostas com mais clareza. Ainda assim, o saldo político foi de empate técnico: cada um teve lampejos de vantagem e tropeços estratégicos, mantendo o cenário eleitoral amplamente aberto e colocando os eleitores indecisos no centro da decisão deste domingo.

No estúdio, as posturas ficaram nítidas. Lula aproveitou as oportunidades para defender seu legado e reforçar a ideia de continuidade de políticas públicas; conseguiu ainda forçar um pedido de desculpas do adversário após menção à expressão conhecida como “9 dedos”, ponto que ganhou destaque na cobertura. Flávio Bolsonaro, por sua vez, concentrou críticas à gestão e apresentou um pacote de promessas focadas na redução do custo de vida e no endividamento das famílias. A tônica foi esta: promessas atraentes para a base, mas cujo enquadramento político e fiscal deixou dúvidas.

Do ponto de vista econômico, as declarações de Flávio provocaram ruídos com o mercado. Ao sinalizar reajustes e medidas expansivas sem detalhar compensações, ele ampliou a incerteza sobre responsabilidade fiscal — situação que pode pesar sobre a percepção de investidores e sobre a credibilidade de eventuais projetos futuros. Também houve pontos específicos de fragilidade: perguntas sobre o patamar do salário mínimo ficaram sem resposta clara. Lula, embora tenha sido menos detalhista em programas como o “Desenrola”, soube explorar melhor temas sociais e a gestão da pandemia em confrontos diretos.

O bloco final, marcado por troca de acusações pessoais descrita por analistas como um “futebol de várzea”, expôs a profundidade da polarização e a dificuldade de transformar o debate em esclarecimento para os eleitores ainda indecisos. Politicamente, o resultado amplia pressão sobre ambos os lados: o governista para consolidar seu legado sem perder legitimidade fiscal; o opositor para traduzir promessas em propostas críveis. Para os eleitores que acompanham até a última hora, resta avaliar a exequibilidade das propostas e o custo político de uma eventual guinada — decisões que definirão tanto o voto de domingo quanto os primeiros passos do governo que sair vitorioso.