O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou a reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada às suas funções na Polícia Federal e reverteu a suspensão de atividades da Diretoria de Inteligência imposta por André Mendonça. Na decisão proferida nesta quarta-feira, Dino classificou como inédita a paralisação determinada pelo outro magistrado e sustentou que a medida já vinha prejudicando procedimentos urgentes, inclusive investigações sob sua relatoria.
Dino enfatizou que a inteligência da PF não serve apenas às investigações que motivaram o embate judicial, mas integra o Sistema Único de Segurança Pública e desempenha papel central em apurações de crimes complexos. Para ilustrar a abrangência do trabalho, o ministro relacionou casos de grande repercussão — como o assassinato da vereadora Marielle Franco — e investigações sobre compras e vendas de decisões judiciais, uso irregular de precatórios e participação de magistrados e policiais em organizações criminosas. Segundo ele, a suspensão pode impedir o andamento de, quiçá, centenas de inquéritos.
Além do impacto operacional, a decisão expõe uma disputa institucional sobre limites entre o poder judiciário e a autonomia operacional da Polícia Federal. Ao falar em "caos administrativo imposto externamente à Polícia Federal", Dino colocou ênfase na incapacidade de interromper diligências enquanto o Plenário do Supremo não se manifestar, apontando para um vácuo prático que tende a gerar efeitos imediatos nas investigações e riscos de impunidade temporária em casos sensíveis.
Politicamente, o episódio amplia o desgaste em torno da atuação de ministros do STF e coloca pressão sobre Mendonça e o colegiado para resolverem rapidamente a controvérsia. A confrontação revela um problema estrutural: decisões de caráter administrativo ou cautelar que atinjam funções técnicas da PF têm potencial para paralisar operações além do alvo original, criando custo institucional e incerteza para os investigadores. O desfecho dependerá agora do julgamento no Plenário — mas, enquanto isso, a sinalização de Dino é clara: frear inteligência é frear investigações que podem envolver atores públicos e crimes complexos.