Com apenas cinco dias até a votação do segundo turno, a disputa ganha um componente de imprevisibilidade: segundo o analista Melillo Dinis, parcela significativa do eleitorado tende a decidir o voto na véspera ou mesmo no dia da eleição. Esse comportamento amplia a importância de ações de última hora — debates, declarações e conteúdo nas redes — e eleva o valor da mobilização e da capacidade de persuasão imediata das campanhas.

Dinis critica o tom dos embates públicos recentes, que privilegiaram confronto em vez de exposição de propostas. Esse tipo de disputa favorece o chamado 'voto de rejeição', em que o eleitor escolhe contra um adversário, não a favor de um projeto. O resultado pode ser perda de legitimidade do debate público, aumento da desmobilização e expansão dos votos em branco, nulos e das abstenções, com impacto direto na governabilidade do vencedor.

O analista defende também a checagem de fatos em tempo real durante os debates e a retomada de temas estruturais na agenda — sobretudo economia e orçamento. Na avaliação dele, há lacunas nas propostas: faltam detalhes sobre sustentabilidade fiscal no mandato seguinte, no caso do presidente em exercício, e clareza sobre iniciativas como o anunciado 'Ministério da Prosperidade' na campanha adversária. Essas incertezas têm custo político e econômico, porque deixam eleitores e mercados sem parâmetros para avaliar compromissos.

A menos de uma semana da votação, o quadro exige duas respostas: campanhas mais objetivas e a mídia mais ativa na verificação de informações. Para além do jogo simbólico, os últimos dias podem definir margens pequenas — e, ao mesmo tempo, provocar efeitos duradouros sobre confiança no governo, nas instituições e nas políticas públicas que virão.