A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, publicada nesta sexta-feira (17/7), determina a suspensão de visitas a Jair Bolsonaro por 30 dias e impede a visita programada do presidente argentino Javier Milei. A defesa de Bolsonaro havia solicitado o encontro para a tarde de 25 de julho, data em que o PL fará sua convenção partidária, e Milei havia dito à imprensa argentina que a visita seria uma demonstração de apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
A comitiva argentina prevista incluía o ministro das Relações Exteriores Pablo Quirino, Karina Milei, secretária-geral da Presidência e irmã do presidente, e um intérprete. As restrições foram adotadas após Flávio Bolsonaro divulgar uma carta enviada pelo pai, episódio que, segundo Moraes, configurou descumprimento das medidas cautelares que vedam o uso de redes sociais via terceiros.
Além do prazo de 30 dias para visitas, o despacho impõe período maior para encontros entre Jair e Flávio Bolsonaro: 90 dias sem contato presencial. Moraes também proibiu outras visitas com cunho 'político-eleitoral' até o fim das Eleições 2026, ato que reduz o espaço para gestos públicos de apoio e uso de encontros como ferramenta de campanha.
Politicamente, a medida não é neutra: frustra um evento simbólico no dia da convenção do PL e limita a exposição internacional que a família Bolsonaro buscava explorar. Institucionalmente, reforça a capacidade do Judiciário de restringir contatos quando identifica risco de violação de medidas cautelares, ao mesmo tempo em que coloca em pauta a dimensão diplomática de encontros entre ex-presidentes e chefes de Estado.