Um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, exibido na convenção do PL no último sábado (25/7) foi gerado por inteligência artificial e provocou imediata reação jurídica e política. A aparição digital — classificada tecnicamente como deepfake — motivou representações protocoladas na Procuradoria‑Geral da República e no Tribunal Superior Eleitoral, que já proíbem o uso de conteúdo sintético com fins eleitorais.
A tecnologia por trás do material exibido combina grandes volumes de fotos e vídeos reais com redes neurais que competem entre si: uma geradora produz imagens e outra, discriminadora, avalia a fidelidade, permitindo iterações que refinam o resultado. A técnica também replica vozes a partir de amostras de áudio, criando falas inéditas com timbre e sotaque muito semelhantes aos originais.
No Brasil a Resolução nº 23.732 do TSE veda o uso de áudio ou vídeo sintético para criar, substituir ou alterar a imagem ou a voz de candidatos e apoiadores com o objetivo de favorecer ou prejudicar candidaturas — e a presença de um aviso de 'simulação por IA' não elimina essa hipótese legal. O episódio coloca o PL e a campanha de Flávio Bolsonaro sob risco de questionamentos jurídicos e complica a narrativa pública do partido, que terá de responder tanto institucionalmente quanto politicamente.
Além do contorno legal, o caso reacende o debate sobre detecção e prevenção: sinais como iluminação inconsistente, bordas borradas, sincronia labial imprecisa e tons de pele artificiais ainda ajudam a identificar deepfakes, mas a velocidade do avanço tecnológico exige resposta regulatória e operacional. A exposição pública de um artificial Bolsonaro deverá forçar o TSE a tornar mais claros os critérios de fiscalização e a fiscalização das plataformas, sob pena de ampliar a vulnerabilidade do processo eleitoral a práticas de manipulação.