A defesa de Jair Bolsonaro desistiu, nesta quinta (24/9), do pedido para suspender a execução da pena de 27 anos e três meses imposto pelo Supremo Tribunal Federal. A solicitação havia sido protocolada pela manhã junto ao ministro Kassio Nunes Marques, relator da revisão criminal apelada pelos advogados, e foi retirada cerca de duas horas depois.
No pedido inicial, a defesa buscava interromper o cumprimento da pena até o julgamento final da revisão criminal pelo STF, alegando, entre outros pontos, que a competência deveria ser do plenário por se tratar de fatos ocorridos no exercício da Presidência. Esse argumento já havia sido rejeitado pela Primeira Turma durante o julgamento que resultou na condenação.
Na nova manifestação enviada ao ministro, os advogados pediram que a desistência seja homologada apenas em relação à medida cautelar, mantendo, segundo a petição, a tramitação normal da revisão criminal e seus fundamentos. A defesa não apresentou explicação pública para a mudança rápida de estratégia.
O recuo abre espaço para interpretações políticas e jurídicas. Do ponto de vista processual, reduz a chance de obter alívio imediato enquanto o Supremo decide a revisão; politicamente, sinaliza uma recalibragem da equipe jurídica e acende alerta sobre a estratégia de comunicação do ex‑presidente. Se interpretada como sinal de fraqueza, a movimentação pode complicar a narrativa de recuperação do bolsonarismo e aumentar a pressão sobre aliados em ano eleitoral.