A defesa do ex‑presidente Jair Bolsonaro esteve nesta terça‑feira (30/6) com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para reforçar o pedido de renovação da prisão domiciliar humanitária. Os advogados explicaram ao relator tanto o quadro clínico que, segundo eles, justificaria a manutenção do regime em casa quanto a apreensão de uma arma registrada em nome de Bolsonaro durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal na semana passada.

A autorização para o cumprimento da pena em domicílio, concedida por Moraes no fim de março, prevê reavaliação a cada 90 dias — prazo que venceu na última quinta (25). A defesa tem sustentado que as condições de saúde do ex‑presidente configuram motivo humanitário para a prorrogação. Segundo o advogado que acompanhou a audiência, Moraes ouviu os argumentos com atenção e demonstrou preocupação com o estado clínico apresentado.

Além do aspecto médico, o relator analisa agora se a ocorrência envolvendo a arma — que estava com um segurança no momento da abordagem policial — pode ser enquadrada como uma “falta grave” na execução penal. Essa qualificação jurídica é central: se confirmada, pode comprometer a manutenção do regime domiciliar e alterar o tratamen to jurídico de Bolsonaro nos próximos meses.

A decisão de Moraes põe o tribunal no centro de uma questão que combina elementos judiciais e repercussão política. Para a defesa, trata‑se de preservação de direitos por razões de saúde; para o relator, está em jogo a observância das regras da execução penal diante de fatos que podem ter implicações práticas imediatas sobre o cumprimento da pena.