A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou no Supremo Tribunal Federal pedido para que a prisão domiciliar seja mantida, após a apreensão de uma pistola Glock 9 mm que foi identificada como pertencente ao condenado. O documento contesta a ideia de que o episódio configure 'falta grave' capaz de justificar o retorno ao regime fechado. O prazo inicial de 90 dias concedido em caráter humanitário chegou ao fim, e caberá ao ministro Alexandre de Moraes decidir o destino da medida cautelar.

A arma foi apreendida com um segurança do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante uma blitz da Polícia Militar em Taguatinga. Na ocasião, o servidor disse aos policiais que a pistola pertencia a Bolsonaro e estava sendo levada para manutenção; em depoimento à polícia o ex-presidente confirmou a propriedade e declarou que o armamento servia para sua proteção e da família. Na petição ao STF, os advogados ressaltam que não houve ordem judicial para recolhimento do armamento e que a arma permaneceu regularmente registrada.

A Procuradoria-Geral da República, por sua vez, pediu ao ministro que aguarde a conclusão de um inquérito que tramita na Polícia Civil do Distrito Federal antes de decidir. Em nota, a PGR avaliou que, até o momento, a investigação não aponta de forma clara a existência de falta disciplinar ou descumprimento das condições de cautela impostas ao condenado. A posição prudente da PGR reduz, por ora, o argumento jurídico para uma mudança imediata da medida, mas não impede que a decisão do STF altere o regime de cumprimento.

Politicamente, o caso acende alerta para o ex-presidente e para seus interlocutores: a possibilidade de retorno ao presídio tem efeito simbólico e prático, com potencial de ampliar desgaste e complicar narrativas de normalidade jurídica em torno de sua situação. Para o Judiciário, a decisão de Moraes será acompanhada como indicador sobre a tolerância a eventual descumprimento de condições impostas a condenados de alto perfil. A expectativa é de que o ministro considere os elementos do inquérito da PCDF, o posicionamento da PGR e os argumentos médicos invocados pela defesa antes de bater o martelo.