A defesa do ex‑presidente Jair Bolsonaro protocolou nesta sexta (14/8) pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para que ele seja autorizado a deixar a prisão domiciliar e comparecer a uma consulta odontológica agendada para 21 de agosto, às 14h, em um consultório no Lago Sul, em Brasília.

Segundo o requerimento, o atendimento seria realizado por Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, mulher do senador Flávio Bolsonaro. Até o momento, Moraes não se manifestou sobre a solicitação. O episódio surge no quadro em que o ministro já havia limitado e, depois, proibido visitas de caráter político‑eleitoral ao preso, medidas adotadas após a divulgação de carta em que Bolsonaro pedia votos para o filho.

Bolsonaro cumpre pena superior a 27 anos no processo relacionado à trama golpista. Inicialmente em regime fechado, o tratamento foi flexibilizado por questões de saúde — com internações e mudança para prisão domiciliar — mas manteve restrições expressas, como a proibição do uso indireto das redes sociais e a vedação de contatos políticos.

O pedido coloca Moraes diante de um dilema jurídico e político: conciliar garantias de saúde e acesso a atendimento com a necessidade de manter limites que evitem uso do benefício para fins eleitorais. Além disso, expõe risco de percepção pública de tratamento privilegiado, tema sensível em um cenário eleitoral já tenso e passível de repercussão política. A decisão do ministro definirá até que ponto as medidas restritivas serão flexibilizadas por motivos de saúde.