A nove dias do primeiro turno, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou junto ao ministro Kassio Nunes Marques, relator da revisão criminal, um pedido de suspensão da execução da pena de 27 anos e três meses. Os advogados pedem efeito imediato para interromper o cumprimento da sentença enquanto a Corte aprecia o novo recurso.

A condenação foi aplicada pela Primeira Turma do Supremo em setembro de 2025, por cinco crimes vinculados à trama que a acusação classificou como tentativa de golpe de Estado — entre eles organização criminosa armada e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O julgamento transitou em julgado em novembro de 2025, quando teve início o cumprimento da pena.

Do ponto de vista processual, a solicitação visa a suspender os efeitos práticos da execução até eventual revisão criminal. Politicamente, o pedido chega em momento sensível: a proximidade das eleições transforma qualquer decisão judicial em evento de repercussão imediata, capaz de influenciar narrativas de campanha e de ampliar pressões sobre a Corte. O caso, portanto, tem desdobramentos jurídicos e políticos simultâneos.

Cabe ao ministro relator decidir se concede liminar para a suspensão ou se remete o pedido à Segunda Instância do STF; seja qual for o caminho, a decisão terá efeito imediato sobre o calendário de execução da pena e sobre o ambiente eleitoral nas próximas semanas. A medida da defesa terá impacto prático apenas quando o Supremo se manifestar.