A defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) protocolou pedido à Polícia Federal para adiar o depoimento marcado para esta sexta-feira no inquérito que apura supostas vantagens ligadas ao Banco Master. O advogado Pablo Domingues afirmou aos delegados que a equipe não teve acesso integral aos autos, condição que, segundo ele, inviabilizaria o exercício pleno do direito de defesa. A solicitação foi apresentada com antecedência, e a PF ainda não informou se aceita a remarcação.
Wagner foi intimado em 21 de julho e segue no centro de uma linha de investigação determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. No curso das apurações, o parlamentar chegou a ser alvo de mandados de busca e apreensão e de medidas cautelares que restringiram atividades econômicas. As diligências buscam esclarecer possíveis vínculos entre pessoas do entorno do senador, empresas familiares e investigados ligados ao extinto Banco Master.
O adiamento, se confirmado, será o segundo revés operacional da semana: na segunda-feira, o empresário Augusto Lima, apontado como próximo a Wagner, deixou de comparecer a audiência da PF — foi a terceira ausência consecutiva do empresário em oitivas previstas no inquérito. Investigadores também apuram se benefícios, entre eles um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,4 milhões, teriam sido concedidos ao senador.
Além do impacto processual — com prazos e estratégias de investigação ajustados conforme a disponibilidade das partes —, o pedido de remarcação tem efeito político imediato. A postergação alimenta narrativas de desgaste e complica a agenda pública do senador, ao mesmo tempo em que estende a exposição do caso na arena política e midiática. Para a investigação, o adiamento adia esclarecimentos essenciais; para Wagner, aumenta a necessidade de uma resposta convincente que ateste transparência e permita retomar a agenda pública.