O criminalista Daniel Bialski, advogado do banqueiro Daniel Vorcaro, declarou nesta sexta-feira que não existe, desde que passou a defender o cliente em agosto, qualquer depoimento recente em que Vorcaro tenha mencionado repasses destinados à produção de um filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A negação de Bialski foi dada ao Correio após reportagem da revista Veja atribuir ao dono do Banco Master o pagamento de R$ 30 milhões a João Vaccari Neto para financiar um longa ligado ao presidente.

A publicação da Veja também sustenta que parte dos pagamentos teria servido, na verdade, para abrir espaço junto a fundos de pensão de servidores federais, supostamente controlados pelo governo, e que valores teriam sido entregues "por fora" ao Instituto Lula, então gerido por Paulo Okamotto, amigo do presidente. Essas alegações ampliam a gravidade das acusações porque misturam supostos repasses privados a atores ligados à administração pública e ao universo político, mas, até o momento, a matéria se baseia em informações de fontes e em declarações atribuídas a Vorcaro em fases anteriores da investigação.

Bialski ressaltou que não estava na defesa de Vorcaro quando teriam sido apresentadas propostas de colaboração e que, desde sua assunção, não houve nova oitiva em que o cliente detalhasse tais repasses à Polícia Federal. Por outro lado, fontes da própria PF consultadas pela reportagem confirmaram que, em depoimentos anteriores, Vorcaro teria citado repasses ao Instituto Lula; segundo essas fontes, entretanto, não houve diligências adicionais por ausência de provas suficientes. O quadro, portanto, mistura versões discrepantes e lacunas investigativas.

Do ponto de vista político e institucional, as informações têm potencial para levantar dúvidas e complicar a narrativa oficial, caso venham a ser corroboradas por provas. Mas a ausência de diligências decisivas da PF e a negativa da defesa quanto a depoimentos recentes colocam o episódio no campo das alegações ainda não confirmadas. Para o governo, a acusação -- mesmo não provada -- reabre tema sensível sobre financiamento e acesso a fundos públicos; para a oposição, é mais um elemento a ser explorado na agenda eleitoral e parlamentar. A reportagem segue como retrato do momento: aponta suspeitas que podem perder ou ganhar corpo conforme avanço das apurações, e não uma conclusão definitiva sobre os fatos.