A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro protocolou no Supremo Tribunal Federal um pedido para revogar a prisão preventiva do empresário, detido no 19º Batalhão da PM do Distrito Federal. Os advogados sustentam que o prazo legal para reavaliação da custódia expirou no fim de agosto, sem nova decisão judicial sobre a necessidade de mantê‑lo preso, e pedem que o tribunal determine nova análise ou a soltura enquanto duram as investigações da Operação Compliance Zero.
No documento encaminhado ao STF, a defesa invoca o Código de Processo Penal, que exige revisão periódica das medidas cautelares, e aponta que já se passaram mais de 90 dias desde a última apreciação. Segundo os advogados, Vorcaro permanece à disposição das autoridades e tem tentado retomar negociações para colaboração premiada — propostas anteriores foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria‑Geral da República, que consideraram insuficientes os elementos oferecidos até então.
O pedido chega num momento de indefinição processual no próprio Supremo: a redistribuição de processos pelo relator que trata da possível investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes e a decisão de encaminhar procedimentos à Presidência da Corte suspenderam tramitações relacionadas ao caso Master. A defesa também lembra que o pai de Vorcaro apresentou pedido semelhante dias atrás, ressaltando a sequência de recursos e a falta de novo pronunciamento judicial sobre prisões vinculadas à apuração.
Além do pleito técnico, a movimentação dos advogados tem impacto político e institucional. A manutenção de prisões sem reavaliação periódica abre espaço para contestação sobre adequação das medidas cautelares e pode amplificar desgaste sobre a condução das investigações. Para a defesa, uma decisão do STF que determine revisão ou alternativas à prisão seria fundamental não só para preservar direitos processuais, mas também para viabilizar eventuais acordos de colaboração que possam esclarecer o alcance das suspeitas envolvendo o Banco Master.