A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (23/06) que respondeu a todos os questionamentos sobre a arma apreendida durante uma blitz em Taguatinga, no Distrito Federal. A pistola, registrada em nome do ex-chefe do Executivo, foi encontrada no interior de um veículo parado em um bloqueio na noite de 15 de junho, junto com um carregador sobressalente. O motorista identificado pelos policiais como servidor do Gabinete de Segurança Institucional declarou que a arma havia sido entregue para reparo.

Segundo o advogado Paulo Cunha Bueno, o registro da arma não foi cancelado e, por isso, deveria permanecer no endereço residencial do proprietário; por esse motivo, a defesa sustenta que o armamento estava em segurança e sob custódia de um sargento do Exército, integrante da equipe de proteção, que teria expertise no modelo e checado uma suposta falha. A peça teria sido destinada à manutenção com previsão de devolução ao domicílio no dia seguinte.

A narrativa da defesa coloca o caso no campo da regularidade formal, com pedido de arquivamento do inquérito junto à Polícia Civil do DF. Ainda assim, o episódio levanta questões práticas sobre a cadeia de custódia e os procedimentos internos do aparato de segurança: como e por que a arma circulou em um veículo durante um bloqueio policial, e se houve falha na documentação ou na troca de responsabilidades pelo armamento.

Politicamente, o incidente tende a manter a exposição do ex-presidente e a cobrança por esclarecimentos detalhados. Mesmo que o inquérito seja arquivado, o episódio alimenta debate sobre rotinas de segurança e transparência administrativa — temas sensíveis para a imagem pública de quem já exerceu o cargo de comandante das Forças Armadas. Caberá agora à Polícia Civil concluir se as explicações apresentadas pelos representantes de Bolsonaro são suficientes para encerrar a investigação.