A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu nesta terça-feira (7/7) ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, que retire do gabinete do ministro Flávio Dino a relatoria do inquérito que apura o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex‑presidente Jair Bolsonaro. Os advogados Tracy Reinaldet, Matteus Macedo e Leonardo Castegnaro sustentam que o processo deve ser redistribuído ao ministro André Mendonça, que já relata investigações conexas.

No pedido, a defesa argumenta que a concentração sob um único relator é necessária para evitar "decisões conflitantes ou medidas contraditórias" sobre o mesmo conjunto de fatos. A contestação ocorre depois de Dino autorizar diligências da Polícia Federal a respeito de um suposto repasse de R$ 2 milhões em emendas do deputado Mário Frias (PL-SP), destinadas formalmente a projetos sociais, mas questionadas pelo gabinete da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) por possível vínculo com a produção cinematográfica.

A estratégia da defesa se conecta ao caso Banco Master: Mendonça já conduz apurações sobre eventuais fraudes envolvendo o grupo e o fundador Daniel Vorcaro, e investigações apontam para possíveis repasses milionários que teriam sido destinados a um fundo no Texas ligado ao advogado Paulo Calixto, associado a Eduardo Bolsonaro. A peça lembra ainda precedentes em que Fachin redistribuiu pedidos do gabinete de Dino para Mendonça, e registra que o processo sob relatoria de Mendonça aguarda parecer da PGR, Paulo Gonet, para eventual abertura formal.

O confronto por relatoria mostra um ponto de tensão institucional no STF: além de disputar competências técnicas, as escolhas dos gabinetes têm impacto prático sobre o ritmo e a convergência das investigações. A saída adotada por Fachin — manter ou redistribuir o caso — terá efeito direto sobre a coordenação das diligências da PF e pode influenciar o calendário processual e político em torno do tema.