A defesa do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), fez ao menos quatro solicitações ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que a relatoria da investigação sobre emendas destinadas ao filme Dark Horse fosse atribuída ao ministro André Mendonça. As petições, registradas entre 13 e 29 de julho, vieram à tona com a queda do sigilo dos inquéritos relacionados ao caso Master. O relator atualmente é o ministro Flávio Dino.

Segundo os documentos levantados com a divulgação das peças sigilosas, as duas primeiras solicitações foram endereçadas ao gabinete do presidente do STF, Edson Fachin; as duas subsequentes foram encaminhadas diretamente ao ministro Flávio Dino. A defesa argumentou que Mendonça já responde por investigação que apura repasses realizados por Daniel Vorcaro, do Banco Master, ao longa, e que, por isso, a competência deveria ser unificada.

A nota dos advogados afirma que houve 'manipulação' das regras de competência para manter Flávio Dino como relator. O fato de a defesa ter utilizado esse argumento e insistido em múltiplos pedidos acende alerta sobre a estratégia processual adotada pelo senador: ao buscar deslocar a relatoria, a defesa procurou vincular as apurações e influir na distribuição dos feitos na Corte, sob argumento de conexidade.

Politicamente, a movimentação tem efeito imediato sobre a narrativa pública: envolve o candidato em disputa procedural no STF em momento sensível da campanha e pode alimentar questionamentos sobre uso de expediente judicial para ganhos políticos. O caso segue em apuração; a divulgação dos pedidos amplia o debate sobre transparência e critérios de distribuição de competência no tribunal.