A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, acusou setores da oposição de tentar instrumentalizar partes da Polícia Federal para influir no debate eleitoral. Em entrevista ao Correio, o advogado Marco Aurélio Carvalho classificou o inquérito que apura suposto tráfico de influência como ato de perseguição política e afirmou que episódios semelhantes já ocorreram em períodos eleitorais anteriores.

Carvalho reconheceu, ainda assim, que a Polícia Federal reconquistou autonomia no atual governo e destacou que essa independência exige atuação responsável da instituição durante a corrida eleitoral. A crítica da defesa combina a denúncia de uso político da apuração com a tentativa de deslegitimar resultados operacionais do órgão, numa estratégia que tem reflexos diretos no ambiente público e na percepção sobre as instituições.

O inquérito que motivou a defesa tem como base mensagens encontradas no celular da empresária e lobista Roberta Luchsinger, alvo de mandado de busca e apreensão. Trechos das conversas indicam contatos e reuniões envolvendo Lulinha e nomes ligados ao governo, e são investigados no contexto de supostas intermediações junto a órgãos federais, inclusive no âmbito de fraudes no INSS.

Do ponto de vista político, a acusação da defesa funciona em duas frentes: procura neutralizar o efeito das revelações e transforma a investigação em narrativa de vitimização que pode ressoar entre aliados. Ao mesmo tempo, coloca a PF sob pressão pública para provar independência. O episódio tende a acirrar confrontos entre governo e oposição e a ampliar o debate sobre limites e riscos de politização de investigações em ano eleitoral.