A defesa de Fábio Luís Lula da Silva recebeu com aprovação a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a ampliação da investigação da Polícia Federal sobre supostos vazamentos de informações sigilosas ligados à Operação Sem Desconto. A medida, tomada após o STF analisar novos relatos de divulgação de conteúdo sob segredo, amplia o escopo do inquérito já em curso.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio, saudou a iniciativa como necessária para identificar a origem das divulgações e prevenir novas exposições de material protegido. A defesa também levantou dúvidas sobre a autenticidade de parte das mensagens publicadas e questionou a cadeia de custódia dos documentos, afirmando que os prejuízos para o réu já são percebidos.
Na decisão assinada em 20 de agosto, Mendonça determinou que o inquérito policial passe a contemplar os fatos apresentados pela defesa e a rastrear a origem das informações tornadas públicas. O ministro deixou claro que a apuração não deve mirar jornalistas ou veículos de imprensa, mas sim quem tinha o dever de preservar o sigilo ou obteve acesso indevido às informações, preservando a garantia constitucional da fonte.
Politicamente, a medida desloca o foco para dentro das instituições responsáveis pela custódia de dados e impõe à Polícia Federal a tarefa de responder com rapidez técnica. Para a defesa, é uma oportunidade de clarificar a autoria e a veracidade do material; para o cenário público, a investigação promete reduzir a instrumentalização imediata das divulgações, sem, contudo, encerrar o debate sobre responsabilidade e transparência.