A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, afirmou oficialmente que as novas supostas mensagens que o relacionam a um encontro com a lobista Roberta Luchsinger não constam dos autos dos inquéritos aos quais os advogados tiveram acesso. O material divulgado em redes e reportagens traz interlocuções que mencionam o filho do presidente, mas, segundo a defesa, a origem desses diálogos é incerta e sua autenticidade não pode ser verificada.

Em entrevista ao Correio Braziliense, o advogado Marco Aurélio de Carvalho disse que 'não dá para testar a autenticidade dessas mensagens' e que a defesa não tem como confirmar se o conteúdo é verdadeiro. Ele admitiu a hipótese de que trechos possam ter sido extraídos de dados brutos eventualmente recolhidos em investigação, mas que não foram incorporados formalmente aos autos disponíveis à defesa. Para o advogado, a divulgação configura um vazamento ilegal e seletivo.

Não dá para testar a autenticidade dessas mensagens. Não sabemos se elas são verdadeiras.

Do ponto de vista político e institucional, a circulação de mensagens sem cadeia de custódia conhecida acende alerta sobre dois riscos: primeiro, a possibilidade de que informações parciais ou fora de contexto prejudiquem a imagem do entorno presidencial; segundo, a erosão da confiança nos procedimentos das investigações, caso a imprensa e a opinião pública passem a trabalhar com material cuja origem e integridade não foram confirmadas. O episódio tende a ampliar desgaste do Planalto e a alimentar exigência por esclarecimentos.

Cabe às autoridades responsáveis pelos inquéritos esclarecer a origem do material e confirmar se há elementos formais que justifiquem inclusão em autos processuais. Enquanto isso, a versão da defesa aponta para a necessidade de transparência na investigação e chama atenção para o risco de vazamentos que interrompam o curso regular das apurações e produzam efeitos políticos antes da devida comprovação.