A defesa de Thiago Miranda afirmou nas redes sociais que o publicitário só tomou conhecimento da determinação de apreensão do passaporte por meio da imprensa. A ordem, assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, impede que o investigado deixe o país e faz parte da 10ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.

No comunicado, os advogados manifestaram "profunda perplexidade" pelo fato de a medida ter sido divulgada pela mídia antes de qualquer intimação pessoal a Miranda ou a seu advogado, e questionaram o que qualificaram como "vazamentos seletivos de informações". A defesa também reafirmou que o cliente nega irregularidades e se coloca à disposição para prestar esclarecimentos às autoridades.

A ordem do ministro — confirmada a veículos por fontes no STF — decorre de investigações que apontam Miranda como suposto articulador de um grupo com características de "grupo mafioso" voltado à descredibilização do Banco Central e à intimidação de jornalistas e concorrentes. O episódio junta ação judicial em sigilo e recriminação pública sobre o fluxo de informações sensíveis, abrindo um debate sobre controle de investigação e preservação de direitos do investigado.

Politicamente, o caso tende a reforçar a atenção sobre o papel das operações da PF e sobre a transparência das comunicações envolvendo o Judiciário. Para a defesa, o vazamento antecipado não apenas viola procedimentos, mas também tem potencial de prejudicar a imagem pública do cliente antes do esclarecimento dos fatos. Do ponto de vista institucional, a sucessão de episódios sob sigilo exige respostas sobre como evitar que informações estratégicas escapem e afetem tanto a investigação quanto a confiança na Justiça.