A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro informou ao Supremo Tribunal Federal que a pistola Glock 9mm apreendida na noite de segunda-feira em Taguatinga pertence ao ex-mandatário e estava em processo de manutenção. O documento entregue ao ministro Alexandre de Moraes sustenta que o percussor — peça que permite o disparo — havia sido removido preventivamente pela equipe de segurança.

A apreensão ocorreu durante uma blitz da Operação Lei Seca, quando o segundo‑sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho conduzia um veículo oficial da Presidência. O militar foi flagrado sem o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF) e, além da pistola, agentes localizaram um carregador sobressalente. Inicialmente ele afirmou que a arma era de uso funcional; depois admitiu que o armamento pertencia a Bolsonaro e que estava sendo levado para conserto devido a uma pane.

No relatório ao STF, os advogados justificam a retirada do percussor pela equipe de segurança com base no uso de medicamentos psiquiátricos por parte do ex‑presidente, argumento que, segundo a defesa, reduziria o risco de acidentes. A defesa afirma também que o pedido de reparo não tem relação com o prazo do cumprimento da prisão domiciliar, previsto para 25 de junho, e que o sistema Sigma do Exército confirma a propriedade do armamento.

O episódio provocou reação institucional: o Gabinete de Segurança Institucional disse que o sargento não está lotado no órgão no atual governo, Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Militar esclareça como são fiscalizados os veículos que saem da residência do ex‑presidente, e a Polícia Civil do Distrito Federal abriu inquérito para apurar as circunstâncias da apreensão. As explicações da defesa reduzem o risco de uma acusação imediata por porte irregular, mas não afastam a investigação sobre procedimentos e responsabilidades.

Além da esfera penal, a situação acende alerta sobre controle e transparência no transporte de armamentos por equipes de autoridade pública: a justificativa médica e a versão de manutenção técnica passam a ser avaliadas por tribunais e polícia, num quadro em que cada episódio público tem potencial de custo político e de desgaste institucional para o entorno do ex‑presidente.