O hacker Walter Delgatti Neto deve deixar o presídio de Potim nesta sexta-feira (8/5) após decisão do ministro Alexandre de Moraes que autorizou a progressão da pena para o regime aberto. A mudança foi aceita depois de manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República e da avaliação da direção da unidade prisional sobre o comportamento do condenado. Delgatti cumprirá a pena em casa, vigiado por tornozeleira eletrônica e sujeito a recolhimento domiciliar noturno durante a semana e integral aos fins de semana e feriados.

Entre as medidas determinadas pelo STF estão ainda a proibição de sair da comarca sem autorização judicial e outras cautelares previstas no acórdão. Delgatti foi condenado a 8 anos e 3 meses por invadir o sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça e por inserir um falso mandado de prisão contra o próprio Alexandre de Moraes no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP). O acórdão transitou em julhode 2025, quando o ministro determinou o início do cumprimento da pena em regime fechado; em janeiro deste ano Moraes já havia autorizado progressão para o semiaberto, também após parecer favorável da PGR.

Do ponto de vista político, a decisão tem impacto simbólico: o condenado atacou diretamente um magistrado do Supremo, e a alegação — nas investigações — de que a ação teria ocorrido a mando da ex-deputada Carla Zambelli, que nega envolvimento, mantém o caso no centro de um debate sobre a relação entre grupos políticos e práticas ilegais de ataque a instituições. A saída do presídio, ainda que com monitoramento, pode ser usada por correligionários para reclamar de supostas branduras, enquanto adversários apontarão riscos à segurança dos bancos de dados judiciais.

No plano institucional, a progressão concede ao próprio sistema penal a narrativa de que requisitos legais foram observados, mas não dissipa o custo político de um episódio que envolveu o Supremo e figuras do bolsonarismo. A defesa informou que levaria a decisão à unidade prisional para providenciar a soltura ainda nesta sexta; o advogado comemorou a autorização do ministro. Resta acompanhar se a permanência das medidas cautelares será suficiente para conter a repercussão política e as possíveis consequências eleitorais e institucionais do caso.