Em entrevista ao podcast A Tia Pod, o ex-procurador e pré-candidato ao Senado pelo Paraná, Deltan Dallagnol (Novo), admitiu que, se tiver a candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral, poderá lançar como substituta a própria esposa, Fernanda, ou o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins. A fala, apresentada como alternativa para garantir representação, foi acompanhada da ressalva de que ele parte do pressuposto de que a Justiça validará sua postulação.

Fernanda Dallagnol é advogada, empresária e atua como embaixadora do movimento Mulheres pelo Novo Paraná. Segundo o próprio pré-candidato, ela já chegou a ser cogitada para cargos municipais em Curitiba, mas não chegou a concorrer. A menção ao nome da esposa como plano B coloca no centro da discussão a estratégia partidária e as escolhas de elenco do Novo em um estado em que a imagem pública do candidato já é controversa.

O contexto legal é sensível: Dallagnol teve o mandato de deputado federal cassado pelo TSE em 2023 com base na Lei da Ficha Limpa, por ter pedido exoneração do MPF enquanto respondia a 15 procedimentos administrativos. Embora não haja, na prática, uma declaração expressa de inelegibilidade em curso, a situação pode ser alvo de questionamentos por adversários. A possibilidade de substituição por familiar acende alerta sobre percepção de tentativa de contorno das vedações eleitorais e amplia desgaste político para a campanha.

Politicamente, a declaração abre caminho para dois efeitos concretos: dá munição a opositores que queiram transformar a discussão em argumento de ética e procedência da candidatura e exige resposta do Novo sobre a estratégia de sucessão. Ao mesmo tempo, expõe uma contradição — a confiança pública na validação judicial e, simultaneamente, a preparação de alternativas que reconhecem risco jurídico — que pode complicar a narrativa eleitoral em Curitiba e no Paraná.