Um grupo de 25 deputados democratas enviou na noite de quinta-feira (29/10) uma carta ao secretário de Estado Marco Rubio cobrando explicações sobre a assistência prestada ao senador Flávio Bolsonaro na sua saída do Brasil para os Estados Unidos. A iniciativa ocorre depois de reportagens, entre elas do The New York Times, que relataram a participação de um assessor da administração Trump na organização da viagem, incluindo o uso de um jato particular para transportar o senador com mulher e filhas após ele não ter entregue seus passaportes conforme determinação judicial.

O documento, obtido pelo site Politico, faz perguntas concretas: se o Departamento de Estado autorizou a entrada do senador, que agências americanas foram consultadas no processo e qual foi a extensão do apoio oferecido pelas autoridades dos EUA. Os parlamentares afirmam que, se recursos governamentais foram efetivamente empregados para beneficiar um político estrangeiro submetido a medidas judiciais, há necessidade de esclarecimento público e prestação de contas ao Congresso.

A movimentação dos democratas leva a um nó político doméstico e internacional. Parlamentares como Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus, que lideraram a articulação, enquadram o episódio como exemplo de dupla via na política migratória do governo Trump — tratamento privilegiado a aliados contra endurecimento para outros imigrantes — e exigem transparência. Para além da polêmica imediata sobre a logística da viagem, a cobrança no Congresso americano amplia desgaste político para a administração Trump e levanta questionamentos sobre possíveis efeitos nas relações bilaterais com Brasília.

Até o fechamento das reportagens, o Departamento de Estado não havia respondido aos questionamentos sobre a carta. O episódio expõe contradições entre discurso e prática em política externa e de imigração e pode desencadear novas investigações ou pedidos de audiência no Congresso americano. Em Brasília, a repercussão adiciona pressão política sobre a família Bolsonaro ao colocar em xeque o uso de facilidades diplomáticas em circunstâncias que envolvem medidas judiciais em outro país.