As denúncias de assédio eleitoral nas relações de trabalho cresceram 328% em outubro na comparação com setembro, segundo balanço do Ministério Público do Trabalho (MPT). Foram 2.364 registros até terça-feira (27/10) — ante 552 no mês anterior; em agosto o volume havia sido de 136 queixas. O levantamento também mostra um salto recente: 427 novos registros desde o último domingo (25/10). No Distrito Federal, que virou foco das apurações, há 92 denúncias anotadas.

Os relatos reunidos pelo MPT vão além de pressões durante a campanha e incluem queixas pós-eleição. Em Brasília, o órgão apura 15 casos em que empregadores teriam incentivado demissões por opção política. Há também menções de dirigentes que teriam orientado terceiros a dispensar trabalhadores com determinada preferência partidária. Diante do quadro, o MPT avisa que prepara um plano de ação nacional para enfrentar práticas de retaliação e outras formas de discriminação por motivo político.

A prática entra na esfera do assédio eleitoral quando a relação de trabalho ou a posição de autoridade é usada para coagir, intimidar ou punir a escolha do trabalhador — por exemplo, por meio de ameaças de demissão, retirada de benefícios ou promessa de vantagens vinculadas ao voto. Especialistas consultados pelo MPT lembram que o limite legal é ultrapassado quando o poder diretivo do empregador interfere na autonomia do empregado. A Lei 9.029/1995 veta discriminações na contratação ou manutenção do trabalho; em casos de dispensa comprovadamente discriminatória, a legislação prevê reintegração ou pagamento em dobro do período afastado, entre outras reparações.

O crescimento rápido das denúncias acende alerta sobre o custo político, jurídico e reputacional dessa prática. Para empregadores e eventuais incentivadores, o aumento das queixas amplia desgaste e eleva a probabilidade de medidas judiciais, pedidos de retratação pública e intervenções administrativas. Para o ambiente político, a repercussão aponta para uma necessidade de resposta institucional clara: a persistência de perseguições por escolha eleitoral não apenas viola direitos individuais, mas também corrói a confiança nas instituições que deveriam garantir liberdade e equidade no mercado de trabalho.