O ex‑presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal na terça (23/6), na sua residência em Brasília. A oitiva conduzida pelo delegado Thiago Boeing durou cerca de cinco minutos dentro de uma visita que totalizou 40 minutos. O foco é a apreensão de uma pistola Glock 9 mm, recolhida em uma blitz da Lei Seca em 15 de junho.
A arma estava no carro do militar Estácio Leite da Silva Filho, do Gabinete de Segurança Institucional. Embora constasse no sistema do Exército em nome de Bolsonaro, o armamento não estava acompanhado do Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) no momento do transporte. O militar declarou que levava a pistola para conserto e voltaria a entregá‑la ao ex‑presidente.
A defesa apresentou ao STF a justificativa de que o percussor — peça essencial ao disparo — teria sido retirado pela equipe de segurança sem o conhecimento do ex‑presidente, por precaução. Segundo os advogados, Bolsonaro, sob uso de medicação psiquiátrica, teria manuseado a arma, verificado que não disparava e pedido que fosse enviada para manutenção. A defesa também citou episódio anterior, em novembro, envolvendo tentativa de romper tornozeleira, alegando efeitos de remédios.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses por liderar tentativa de golpe e está em regime domiciliar humanitário desde 24 de março por 90 dias, autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes para tratamento de broncopneumonia — autorização que vence nesta quinta (25). Moraes recusou videoconferência para o depoimento, citando restrições legais.
Os investigadores agora avaliam se a conduta configura apenas infração administrativa — falta de documento obrigatório — ou violação do Estatuto do Desarmamento, crime com pena prevista de 3 a 6 anos e multa. A rapidez da oitiva e os elementos trazidos pela defesa levantam dúvidas sobre protocolos de segurança e o cumprimento estrito das condições do regime domiciliar, cenário que pode ampliar desgaste político e jurídico para o entorno do ex‑presidente enquanto a apuração segue.