Durante manifestação realizada nesta terça-feira em frente à Câmara Municipal de Belo Horizonte, o deputado federal Rogério Correia (PT) protagonizou um gesto irônico contra a proposta de concessão de título honorário ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Correia exibiu um 'diploma' simbólico rotulado como 'cidadão master' e declarou que o senador "merece" a homenagem alternativa.

O ato foi organizado por opositores à iniciativa do Legislativo municipal e teve tom de sátira política. Além da ironia, o parlamentar fez acusações mais contundentes: afirmou que Flávio Bolsonaro estaria agindo contra o Pix e que teria articulado, em encontro com Donald Trump, medidas que poderiam resultar na perda do sistema e até em uma taxação de 25%. São alegações graves que, segundo o registro do protesto, não vieram acompanhadas de provas apresentadas no local.

A cena reforça a polarização em torno de homenagens públicas e transforma uma decisão local em palco de disputa nacional. Para a Câmara de Belo Horizonte, a repercussão política aumenta o custo de aprovar o título: vereadores favoráveis terão de lidar com críticas públicas e com a cobertura que traduz o episódio em desgaste político para aliados do senador. Para a oposição, o gesto funciona como instrumento de pressão e comunicação simbólica.

Do ponto de vista jornalístico, as acusações sobre o Pix e ligações internacionais exigem apuração e respostas claras das partes citadas. A homenagem proposta permanece no centro de um debate que extrapola o protocolo: trata-se de uma disputa sobre imagem pública, responsabilidade institucional e os limites entre gesto simbólico e exposição de alegações que podem influenciar a narrativa política nos próximos dias.