A Polícia Civil do Rio, em conjunto com o Ministério Público do Estado (MPRJ), cumpriu na manhã desta quinta-feira 14 mandados de busca e apreensão contra agentes públicos suspeitos de ligação com o Terceiro Comando Puro (TCP), a segunda maior facção do estado. Entre os alvos está o deputado estadual Val Ceasa (PRD). A operação, autorizada pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio, teve como um dos locais de busca a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj); também houve diligências na Ceasa e em endereços no Espírito Santo.

Segundo o MPRJ, a investigação foi aberta após indícios de que parlamentares teriam procurado a Polícia Militar para obter informações sobre uma operação sigilosa prevista para demolir imóveis usados pelo TCP no Complexo de Israel, na zona norte. As apurações apontam que os alvos teriam utilizado influência para argumentar que os imóveis seriam destinados a prestação de serviços sociais — alegação que, conforme o MP, não corresponderia à realidade — e que, por essa razão, a ação de demolição acabou adiada.

A ação foi determinada pelo procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, e executada por equipes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e da Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro da Polícia Civil. Além do deputado, figuram na lista de alvos o ex-vereador Ulisses Marins (União Brasil) e um ex-assessor parlamentar. As defesas dos investigados ainda não se manifestaram ao Estado.

O episódio tem implicações políticas e institucionais claras: se confirmadas as conexões com a facção, a operação amplia desgaste sobre a Alerj e levanta dúvidas sobre eventuais confluências entre agentes públicos e organizações criminosas. Para o governo estadual e para a segurança pública, a investigação acende um alerta sobre fragilidades no controle de informações e na execução de operações contra áreas dominadas por milícias e facções. O caso segue em curso, e novas diligências podem ampliar o escopo das apurações.