Parlamentares reagiram com indignação a duas cenas que viralizaram no último sábado, véspera do segundo turno. Em vídeos divulgados nas redes sociais, um homem branco vestido em verde e amarelo aparece segurando por uma corrente um homem negro trajando vermelho, numa referência ao PT; em outro episódio, durante ato em Belo Horizonte, uma mulher rasgou a imagem de Nossa Senhora Aparecida. A circulação das imagens alimentou denúncias imediatas de racismo e intolerância religiosa.

A deputada federal Anielle Franco (PT), recém‑eleita, afirmou que vai procurar o Ministério da Igualdade Racial para apurar os episódios e cobrou medidas imediatas. Na mesma linha, figuras do campo governista e da esquerda, como o ministro‑chefe da Secretaria‑Geral Guilherme Boulos, o deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL) e o deputado federal Rogério Correia (PT), também se manifestaram publicamente. O caso ganhou dimensão política por ocorrer no contexto de mobilizações pró‑Flávio Bolsonaro.

Além do impacto simbólico, as imagens criam risco político para o núcleo pró‑Bolsonaro ao expor comportamentos que podem afastar eleitores moderados e reforçar críticas sobre tolerância a extremismos na base de apoio. A repercussão tende a acender alerta sobre a necessidade de controle das manifestações e pode ampliar desgaste eleitoral num momento em que a disputa está mais polarizada. Parlamentares citam a obrigação institucional de apuração e eventual responsabilização dos envolvidos.

Do ponto de vista institucional, a cobrança por investigação formal aponta para um teste sobre a capacidade do Estado em reagir a crimes de ódio e atos de intolerância ocorrendo em comícios e atos públicos. Em tom crítico, deputados dizem que não podem permitir a naturalização dessas cenas e anunciam que acompanharão o desdobramento. Resta ver se as medidas sugeridas pelas lideranças resultarão em procedimentos efetivos ou ficarão restritas ao debate político no curto prazo.